A mesa redonda "Desenvolvimento de vacinas de arbovírus" aconteceu no dia 8 de maio no auditório principal do IV International Symposium on Immunobiologicals, promovido por Bio-Manguinhos no Museu do Amanhã. Foram convidados Erich Tauber, CEO da Themis, Jorge E. Osorio, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Wisconsin-Madison, e Marcos Freire, assessor científico de Bio-Manguinhos e vice coordenador geral de desenvolvimento tecnológico do novo Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz). Quem coordenou o debate foi José Paulo Gagliardi Leite, diretor do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Erich comentou sobre uma vacina para chikungunya que está sendo desenvolvida e está em estudos clínicos de fase III. “Programada para ser lançada em 2021, a vacina candidata da Themis (MV-CHIK) demonstrou segurança e excelente perfil de imunogenicidade em mais de 500 pessoas em todo o mundo. Outras empresas concorrentes ainda estão em fase 1 ou fase 2”, destacou.

Com a primeira dose, já consegue alcançar 90% de imunidade e, com a segunda, chega a 96%. “A doença é endêmica no Brasil e a Themis está a caminho de levar a primeira vacina de Chikungunya à aprovação. A empresa está empenhada em aprender mais sobre as possibilidades no Brasil para trabalhar em conjunto com outros fabricantes de vacinas, agências reguladoras e especialistas clínicos para disponibilizar a vacina no Brasil o mais rápido possível”, concluiu.

Marcos contou a história da vacina de febre amarela e como a tecnologia para o seu desenvolvimento foi melhorando nos últimos 80 anos. “A nossa maior preocupação é com os eventos adversos mais graves. Os casos estudados, tanto com doença viscerotrópica e neurotrópica, foi constatado que a causa está mais ligada à genética do que com a vacina e este estudo sairá em breve. Por isso, Bio está desenvolvendo uma vacina de subunidade com expressão transiente em folha de tabaco em parceria com a Fraunhofer”, contou.

 

 mesa redonda arboviroses

Jorge E. Osorio mostrou algumas iniciativas globais contra
as arboviroses como vacinas e o wolbito. Imagem: 
Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos

 

Além disso, há uma inativada em desenvolvimento. “Estudos com primatas foram bem-sucedidos. Aplicamos três doses em micos da cara dourada e conseguimos eficácia de 83%”, explicou o assessor. Com relação ao desenvolvimento de uma vacina contra dengue, ele explica que cientistas tentam esse feito há mais de 90 anos. “Algumas vacinas foram descontinuadas, inclusive a de Bio. Agora, estamos trabalhando em uma vacina purificada e inativada. As empresas que estão na corrida são Instituto Butantan e Takeda. A da Sanofi Pasteur foi lançada, mas seu uso tem restrições”, citou Marcos.

Ele também mostrou as vacinas candidatas contra zika, incluindo os projetos de Bio-Manguinhos. “Estamos com três frentes: uma é inativada, a outra é com a Aggeu Magalhães (CPqAM-Fiocruz) feita com virus chimérico de febre amarela (17D)/ZIKV. A terceira é um acordo entre o Instituto Médico da Universidade do Texas e Instituto Evandro Chagas (IEC) e trata-se de uma vacina de vírus vivo atenuado recombinante”, finalizou.

Jorge ressaltou as limitações da vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur, a Dengvaxia, que teve problemas durante seu estudo clínico em crianças. Ele mostrou, ainda, o Programa Mundial do Mosquito, um projeto que coloca na natureza mosquitos geneticamente modificados com Wolbachia para minimizar as transmissões de arboviroses.

“O projeto atua em 12 países, mas o objetivo é alcançar 20 países até 2023. Até agora, 100 milhões de pessoas foram protegidas com o Aedes modificado com Wolbachia. O programa começou de forma bem-sucedida na Austrália. Em estudos, verificou-se uma diminuição drástica nos casos de dengue, zika, chikungunya, febre amarela e mayaro acontecendo apenas casos importados”, revelou. Ele falou ainda como o projeto, entre 2016 e 2019, ajudou a população do Rio de Janeiro e Niteroi, protegendo mais de um milhão de pessoas.

 

Jornalista: Gabriella Ponte