A Sanofi Pasteur realizou um Simpósio Satélite no dia 8 de maio no auditório principal do IV International Symposium on Immunobiologicals, promovido por Bio-Manguinhos no Museu do Amanhã. A palestra “Doença meningocócica: epidemiologia e riscos do grupo W” foi ministrada pelo médico José Geraldo L. Ribeiro, da Faculdade de Clínicas Médicas de Minas Gerais e Faculdade de Saúde e Ecologia Humana. O principal assunto abordado foi que a incidência do sorotipo W aumentou entre os adolescentes no país inteiro.

Os adolescentes são os principais transmissores da doença para as crianças, segundo o especialista. “Estudando o surgimento das epidemias, verificamos que, ao ter surtos, muitos municípios suspendem as aulas e ao deixar os adolescentes em casa é quando acontecem as transmissões das doenças para os irmãos mais novos e até para os pais”, esclareceu José Geraldo.

 

jose geraldo 430x285

Os adolescentes são os principais transmissores da doença
para as crianças, segundo o especialista. Imagem: 
Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos

 

O maior desafio dos profissionais que trabalham nas unidades de emergência é fazer o diagnóstico precoce para o devido tratamento. “Às vezes, a criança está somente há poucas horas com febre e, dessa forma, os médicos não conseguem fazer um diagnóstico eficiente. O problema é que, a doença é fatal e a circulação da bactéria é muito dinâmica”, explicou.

Ele citou alguns períodos epidêmicos no Chile (2000-2012) e Argentina (1993-2013), que só conseguiram ser controladas através da vacinação. Ele contou, ainda, como se deu a introdução da vacina meningo C no Brasil com campanhas com crianças em 2009 e 2010. “Analisamos, dois anos depois, o impacto dessa vacinação. Houve diminuição significativa do sorotipo C nas crianças mas aumentou entre os adolescentes. Outras faixas etárias se beneficiaram com redução do número de casos”, detalhou o especialista.

A vigilância epidemiológica feita nos últimos dez anos demonstrou que a letalidade aumentou. “Em 20% dos casos, o paciente vai a óbito e isso representa o dobro da maioria dos países. Por sorotipo, observamos que os pacientes do tipo C morrem em 12% dos casos enquanto que quem contrai do tipo W vai a óbito 56% das vezes. Concluindo, o sorotipo W é o mais agressivo de todos”, finalizou o palestrante.

 

Jornalista: Gabriella Ponte