Uma das novidades do IV International Symposium on Immunobiologicals é o Innovation Hub, que teve sua programação apresentada no Observatório da Manhã. A manhã do dia 7 de maio abriu com a sessão "Os ativos de inovação da Fiocruz e Bio-Manguinhos: da descoberta até a fase clínica". Para apresentar o pipeline da Fundação, foi convidado o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS), Marco Krieger, e representando Sotiris Missailidis, vice-diretor de Desenvolvimento Tecnológico de Bio (VDTEC), foi convidada sua assessora, Marcia Arissawa, que falou sobre o pipeline do Instituto.

Krieger detalhou desde a pesquisa básica até a atuação industrial da Fiocruz, cujo maior objetivo é fortalecer o SUS. Falou sobre a presença nacional e internacional da Fundação e como forma, cada dia mais, Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs). “Estamos em 11 estados, exportamos nossas vacinas para mais de 70 países e participamos ativamente de redes e colaborações científicas ao redor do globo. Nossa intenção é tornar o Brasil cada vez mais independente tecnologicamente, por isso não só investimos em desenvolvimento próprio como formamos parcerias com instituições estrangeiras para transferir para cá a tecnologia que eles possuem. Nossa preocupação é fazer uso racional do poder de compra e, ao mesmo tempo, queremos dar acesso gratuito à população a esses medicamentos”, afirmou.

 

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 Krieger detalhou desde a pesquisa básica até a atuação
industrial
da Fiocruz, cujo maior objetivo é fortalecer o SUS.
Imagem: 
Gabriella Ponte - Ascom / Bio-Manguinhos

 

Ele deu alguns exemplos de como a Fiocruz trabalha para responder, rapidamente, demandas de saúde pública como recentemente aconteceu nos surtos de zika e febre amarela. “A pesquisadora Celina Turchi fez a correspondência da zika com os casos de microcefalia. Além disso, durante o surto, a Fiocruz fez uma série de descobertas científicas pois, até então, pouco se sabia da doença. Além de desenvolvermos testes rápidos e moleculares para detectar zika, dengue e chikungunya, nós começaremos a fase I dos estudos clínicos com duas vacinas sintéticas. Também temos dois grandes projetos, Wolbachia, com mosquitos geneticamente modificados, e a Dengue Tech, um inseticida que desenvolvemos. Na febre amarela, aumentamos nossa capacidade produtiva (de 25 para 64 milhões de doses de vacina/ano) e fizemos o estudo do fracionamento para imunizar a maior quantidade de pessoas em um curto período de forma eficaz”.

Outra iniciativa foi a construção do Centro Henrique Penna, em Bio-Manguinhos, que está prestes a iniciar suas atividades. “Lá, temos a primeira planta piloto da América Latina para a produção de vacinas e biofármacos. Dessa forma, conseguiremos resolver um grande gargalo que temos na indústria. Além dessa iniciativa, estamos realizando centenas de estudos clínicos, como o da vacina meningite C, desenvolvimento 100% de Bio, que está em fase III, e da vacina de esquistossomose, também em fase III”, complementou Krieger. Ele enumera alguns benefícios das PDPs através de números. “Nos últimos cinco anos, estamos investindo mais em transferência de tecnologia em biológicos, que são medicamentos caros. Nesse período, conseguimos reduzir em 55% o preço deles”.

Novos produtos entraram no portfólio nos últimos cinco anos: 15 em Farmanguinhos e 11 em Bio-Manguinhos. A Fiocruz ocupa o oitavo lugar entre as empresas da indústria farmacêutica que atuam no Brasil e o Instituto Butantan está em 19º e são as únicas governamentais que estão entre as 20 primeiras. “Inserir novos produtos no mercado e fomentar a ciência nacional é o nosso foco. Estamos financiando mais de 100 ideias inovadoras e 22 novos produtos através de editais do Inova Fiocruz. Estamos acompanhando o desenvolvimento desses projetos e, com a nossa expertise, estamos auxiliando esses cientistas a concretizar essas ideias”.

 

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 Marcia apresentou alguns projetos que constam na carteira
de Bio. Imagem: Bernardo Portella - Ascom / Bio-Manguinhos

 

Marcia mostrou o organograma da VDTEC, formada pelos programas dos projetos, laboratórios e núcleos de suporte. Uma dos grandes objetivos da vice-diretoria é estudar o mercado farmacêutico, fazer prospecção de novas oportunidades e parcerias e desenvolvimento próprio de produtos. Ela detalhou como é o fluxo de formação de novas parcerias até que se consiga recursos internos e externos para a sua formalização. “Tudo isso alinhado ao nosso planejamento estratégico, que rege as prioridades do Instituto”, frisou. Ela disso, ainda, que a unidade também tem apoiado e financiado projetos inovadores através do InovaBio.

Ela apresentou alguns projetos que constam na carteira de Bio. “Na parte de biofármacos, estamos focando em biossimilares, entre outros projetos. Entre as vacinas, estão o desenvolvimento da zika inativada, dengue inativada e a vacina atenuada de sarampo e rubéola. Já na área de kits para diagnósticos, estão os testes rápidos de doença de Chagas, leptospirose e hantavírus, além dos testes moleculares NAT HIV/HBV/HCV/Malária e o kit Flex Nat”, citou.

 

Jornalista: Gabriella Ponte