As doenças infecciosas ainda representam um problema para a saúde pública. Para falar sobre quais são as possibilidades de tratamento dessas doenças, a pesquisadora  Emmanuelle Jouanguy destacou, no último dia do IV Simpósio Internacional em Imunbiológicos (ISI) as opções terapêuticas existentes.

"Para iniciar um tratamento, precisamos compreender também a relação entre os possíveis medicamentos , suas interações e impactos na imunidade", explicou. Na parte clínica, ela abordou o valor do diagnóstico precoce e aconselhamento genetico.

"Para infecções severas, há que se considerar outras possibilidades, especialmente em um cenário de resistência antimicrobiana", complementou.

Ela citou o caso do HPV e sua variedade em termos de morfologia e histologia do vírus. "Toda essa interação afeta o comportamento do vírus e as manifestações no organismo do paciente", reforçou.

No caso da resposta antiviral imune, especificidades genéticas teriam , para ela, uma forte relação com infeçcões fúngicas e  bacteriana. "Estamos tentando entender melhor a patogênese das doenças para ter, no futuro, melhores respostas imune",  concluiu.



Tecnologias de conjugação


Apresentando os principais desafios para conjugação de bactérias, o pós-doutor em medicina interna pelo Hospital Rush-Presbyterian e pelo Beth Israel Hospital (EstadosUnidos) e mestre pela McGill University (Canadá), George Siber abordou questões relativas ao desenvolvimento de vacinas potenciais.

Siber citou cinco programas que estão com vacinas pneumocócicas conjugadas em andamento e suas fases de produção e desenvolvimento em todo o mundo.

Para alcançar a meta de conjugação de vacinas, é preciso, para Siber, expandir a cobertura do sorotipo na estratégia primária e uma maior simplificação de processos, além da redução de custos.

O professor Brendan Wren mostrou as diferenças entre as técnicas de conjugação, destacando as vacinas conjugadas e não conjugadas.  "Fizemos uma gênese da glicoengenharia para analisar os pontos de conexão", analisou.

Atualmente, ele está trabalhando no aprimoramento de uma vacina recombinante glicoconjugada. A pesquisadora de Bio-Manguinhos, Ivna Alana Freita,  abordou as tecnologias que são aceitas em vacinas comercialmente disponíveis. Elas são produzidas a partir de conjugação química.

Ivna Alana da Silveira, do Laboratório de Tecnologia Bacteriana (Lateb) é uma das profissionais envolvidas no processo de desenvolvimento da vacina meningocócica C conjugada. Em Bio há 24 anos, ela destaca que as principais tendências mundiais apontaram para a substituição da vacina polissacarídica pela conjugada. A farmacêutica chegou em Bio como bolsista e começou a trabalhar no Laboratório de Bacterianas (atual Lateb e antigo Laba), que existia mesmo antes do Departamento de Vacinas Bacterianas (Debac). 

Os estudos clínicos da vacina meningocócica C conjugada se iniciaram em adultos em 2006. O início da fase 2 ocorreu em 2010, com realização de testes clínicos em 360 crianças de 1 a 9 anos, que apresentaram resultados satisfatórios em termos de reatogenicidade e imunogenicidade. Estes resultados indicaram a necessidade de algumas melhorias no processo de produção e por sugestão da Anvisa, foi realizado um novo estudo de fase 1 em adultos. 

Em 2012, foi feito o escalonamento do processo produtivo, com a produção de 3 lotes de vacina em escala industrial. “Temos tidos bons resultados. É o primeiro caso de desenvolvimento autóctone de uma vacina no Brasil”, acrescenta Ivna.

 

Jornalista: Isabela Pimentel

Imagem: Bernardo Portella